Faixa-a-faixa Los Hermanos 4

1 - “Dois barcos” - Clima chuvoso e intenso. Piano e baixo se integram em um movimento melancólico, lembrando um pouco hurtmold. Entra o vocal calmo e que lembra os idos tempos de Ivan Lins e “Santa Chuva” , aquele som que ficou famoso com a Maria Rita. Os arranjos de sopro e fagote – escritos pelo próprio Camelo e por Edu Morelenbaum – colocam um pouco mais de sal na água das lágrimas de quem ouve.
2 – “Primeiro andar” - Levadinha esperta um pouco diferente das últimas incursões compositores de Rodrigo Amarante. A guitarra lembra bastante os grupos de música emo, principalmente Sunny Day Real Estate e Death ab For Cutie. Presta atenção no riff final...
3 - “Fez-se mar” – Um Camelinho e um violão! Talvez o maior sambinha feito por Marcelo Camelo. Estilo Paulinho da Viola. Saca só o refrãozinho: “Clareira no tempo, Cadeia das horas, Eu meço no vento, O passo de agora”. O solo é bem climático e e percorre toda a espinha dorsal.
4 - “Paquetá” – apesar do título Vinícius de Moraes e a tendência ao samba, “Paquetá” tem influências de música latina, principalmente na percussão e no piano. Em jogos inteligentes de palavras e rimas, Rodrigo Amarante divaga sobre os dissabores da perda e declara à sua amada (uma garota ou uma ilha?): “sem você sou pá-furada”.
5 - “Os pássaros” – Com um início que lembra Radiohead e a levada vocal característica do seu compositor, “Os pássaros” é outra declaração de amor de Rodrigo Amarante, com um eu-lírico que mostra insegurança e confusão em relação à vida. O ritmo arrastado encaixa no zigue-zague da letra. O sintetizador e o harmônio elétrico de Bruno Medina estão tinindo. Chegar até aqui sem nenhum arrepio ou sequer um amolecimento do coração me parece impossível.
6 - “Morena” – Esse início não engana: Camelo andou ouvindo “Anos dourados”, parceria de Tom Jobim e Chico Buarque. O riff e a levada são bem parecidos. A música é poesia pura acompanhada por instrumentos. “É, morena, tá tudo bem. Sereno é quem tem paz de estar em par com deus. Pode rir agora que o fio da maldade se enrola”.
7 - “O vento” – É o primeiro single desse álbum. A primeira vez que os Hermanos promovem um álbum com um som do Amarante. Enfim uma levada alegre, em clima de Café Tacuba. Esse álbum tem cara de prédio na praia do Rio de Janeiro. Daqueles que não têm varanda mas compensam com um puta janelão.
8 - “Horizonte distante” – Finalmente uma banda nacional consegue passar para o Brasil o que bandas como Franz Ferdinand e Strokes fazem nos EUA. Saca só essa levada de guitarra! Mas tem aquela porção Los Hermanos né? Os arranjos arrepiam. Esse papo de horizonte distante soa meio Renato Russo pra você? Não acredite, é bem melhor que isso.
9 - “Condicional” – Essa tem cara de Ventura. Pianinho com riff esperto, guitarra mais próxima do Weezer e amarante se enrolando novamente em lamúrias de amor. É a “Canção do amor demais” dos barbados.
10 - “Sapato novo” – Violão dedilhado, baixo, bateria, sintetizador e...Vibrafone! Jota Moraes é o convidado dessa faixa. Silenciosa, triste e direta: “levo assim, calado, de lado do que sonhei um dia como se a alegria recolhesse a mão pra não me alcançar.”
11 - “Pois é” – O que esperar de uma música que começa com a seguinte constatação: “pois é, não deu”? Com muito lirismo Marcelo Camelo prega o Carpe Diem em um arranjo simples e belo. “Deixa o amanhã e a gente sorri”. Soa como um aviso ao ouvinte que a essa altura está hipnotizado e com o coração na mão.
12 - “É de lágrima” – A última do disco e a que encerra a trilogia corta-pulso que se inicia em “Sapato novo”. A curiosidade fica por conta da ausência do Amarante na gravação desse som, coisa que ninguém explica...é da banda né? E aí declara Marcelo que “É de lágrima que faço o mar pra navegar” antes do estouro nos arranjos. Um gran finale de um excelente álbum.

1 Comments:
Bela análise do disco!
Eu achei.. triste.
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