Friday, July 29, 2005

Errata Abbey Road

Ao contrário do que foi dito no post sobre o disco dos Beatles, foi Frank Sinatra que apontou "Something" como a melhor composição de Lennon e McCartney. Apesar de ser muito mais sem noção, desta vez ao pataquada não foi do tenor italiano.

Obrigado Erick e Gustavo. Gatos pingados que lêem isso aqui.
Abraços.

Wednesday, July 27, 2005

Faixa-a-faixa Los Hermanos 4



1 - “Dois barcos” - Clima chuvoso e intenso. Piano e baixo se integram em um movimento melancólico, lembrando um pouco hurtmold. Entra o vocal calmo e que lembra os idos tempos de Ivan Lins e “Santa Chuva” , aquele som que ficou famoso com a Maria Rita. Os arranjos de sopro e fagote – escritos pelo próprio Camelo e por Edu Morelenbaum – colocam um pouco mais de sal na água das lágrimas de quem ouve.

2 – “Primeiro andar” - Levadinha esperta um pouco diferente das últimas incursões compositores de Rodrigo Amarante. A guitarra lembra bastante os grupos de música emo, principalmente Sunny Day Real Estate e Death ab For Cutie. Presta atenção no riff final...

3 - “Fez-se mar” – Um Camelinho e um violão! Talvez o maior sambinha feito por Marcelo Camelo. Estilo Paulinho da Viola. Saca só o refrãozinho: “Clareira no tempo, Cadeia das horas, Eu meço no vento, O passo de agora”. O solo é bem climático e e percorre toda a espinha dorsal.

4 - “Paquetá” – apesar do título Vinícius de Moraes e a tendência ao samba, “Paquetá” tem influências de música latina, principalmente na percussão e no piano. Em jogos inteligentes de palavras e rimas, Rodrigo Amarante divaga sobre os dissabores da perda e declara à sua amada (uma garota ou uma ilha?): “sem você sou pá-furada”.

5 - “Os pássaros” – Com um início que lembra Radiohead e a levada vocal característica do seu compositor, “Os pássaros” é outra declaração de amor de Rodrigo Amarante, com um eu-lírico que mostra insegurança e confusão em relação à vida. O ritmo arrastado encaixa no zigue-zague da letra. O sintetizador e o harmônio elétrico de Bruno Medina estão tinindo. Chegar até aqui sem nenhum arrepio ou sequer um amolecimento do coração me parece impossível.

6 - “Morena” – Esse início não engana: Camelo andou ouvindo “Anos dourados”, parceria de Tom Jobim e Chico Buarque. O riff e a levada são bem parecidos. A música é poesia pura acompanhada por instrumentos. “É, morena, tá tudo bem. Sereno é quem tem paz de estar em par com deus. Pode rir agora que o fio da maldade se enrola”.

7 - “O vento” – É o primeiro single desse álbum. A primeira vez que os Hermanos promovem um álbum com um som do Amarante. Enfim uma levada alegre, em clima de Café Tacuba. Esse álbum tem cara de prédio na praia do Rio de Janeiro. Daqueles que não têm varanda mas compensam com um puta janelão.

8 - “Horizonte distante” – Finalmente uma banda nacional consegue passar para o Brasil o que bandas como Franz Ferdinand e Strokes fazem nos EUA. Saca só essa levada de guitarra! Mas tem aquela porção Los Hermanos né? Os arranjos arrepiam. Esse papo de horizonte distante soa meio Renato Russo pra você? Não acredite, é bem melhor que isso.

9 - “Condicional” – Essa tem cara de Ventura. Pianinho com riff esperto, guitarra mais próxima do Weezer e amarante se enrolando novamente em lamúrias de amor. É a “Canção do amor demais” dos barbados.

10 - “Sapato novo” – Violão dedilhado, baixo, bateria, sintetizador e...Vibrafone! Jota Moraes é o convidado dessa faixa. Silenciosa, triste e direta: “levo assim, calado, de lado do que sonhei um dia como se a alegria recolhesse a mão pra não me alcançar.”

11 - “Pois é” – O que esperar de uma música que começa com a seguinte constatação: “pois é, não deu”? Com muito lirismo Marcelo Camelo prega o Carpe Diem em um arranjo simples e belo. “Deixa o amanhã e a gente sorri”. Soa como um aviso ao ouvinte que a essa altura está hipnotizado e com o coração na mão.

12 - “É de lágrima” – A última do disco e a que encerra a trilogia corta-pulso que se inicia em “Sapato novo”. A curiosidade fica por conta da ausência do Amarante na gravação desse som, coisa que ninguém explica...é da banda né? E aí declara Marcelo que “É de lágrima que faço o mar pra navegar” antes do estouro nos arranjos. Um gran finale de um excelente álbum.

"4": primeira audição

A primeira audição de "4", o quarto disco do Los Hermanos se encerrou e aqui vão minhas considerações:

As músicas estão bem mais compactas e primam a letra. É um disco essencialmente poético. As composições do Marcelo Camelo estão bem MPBísticas. As do amarante também, mas não tanto.

Como já se sabia, os metais foram quase abolidos do disco. Os que ainda existem são belos mas incomparavelmente mais discretos do que dos discos anteriores. É daqueles álbuns pra se escutar prestando atenção. Beatles e MPB anos 70 talvez sejam as influências mais perceptíveis. Discasso. Vou pra minha segunda audição. Em breve, faixa-a-faixa.

Chegou o novo do Los Hermanos

Olha.. estou na música 6 da primeira audição e o que posso dizer é que é um disco bastante denso. E bem triste. Por enquanto não teve nenhuma gingadinha estilo "além do que se vê" ou rockeira na base de "cara estranho". Tem muito de música brasileira dos anos 70. E um pouco de rock emo estilo pinback ou death cab for cutie (vide as guitarrinhas de "primeiro andar"). Muita gente deve torcer o nariz. Mas é discasso, pelo menos até agora...

Morre Dom Um Romão


Um dos maiores bateristas da história da música brasileira morreu na madrugada desta terça-feira, 26 de julho, no Rio de Janeiro.

Precursor da batida característica da bossa nova ao lado de Milton Banana, Don Romão se mudou para os EUA no final da década de 60 e lá ficou até 1980, quando foi morar na Suíça.

Participou em 1958 da gravação do disco "Canção do Amor Demais", de Elizeth Cardoso, o álbum considerado um marco inaugural da bossa nova. Morreu de derrame cerebral aos 79 anos.

Discografia essencial:
- Elizeth Cardoso - "Canção do Amor Demais"
- Weather Report - "I Sing the Body Electric"
- Dom Um Romão - "Dom Um Romão"

Tuesday, July 26, 2005

Uma avenida do rock


Desenterrei o Abbey Road dos Beatles essa manhã. Acho que não escutava esse álbum há uns 5 anos e até agora não achei explicação de por que demorei tanto tempo. Apesar do Let it Be ter sido lançado depois, foi a última incursão dos Beatles em estúdio, que saiu em 26 de setembro de 1969.

Acredito que seja o disco mais rock do quarteto. Durante sua audição é possível pinçar influências de outros grupos roqueiros que haviam surgido. The Who é o maior exemplo.

Além da habitual habilidade da dupla Lennon/McCartney é louvável destacar a bateria de Ringo cuja qualidade sempre colocada em dúvida, se mostra cada vez mais poderosa. Come Together é prova irrefutável. Fora que em Abbey Road é possível encontrar talvez a melhor composição do baterista: “Octopus’s Garden”, com sua ginga country e simplicidade pop que beira a ingenuidade arremata a dúvida de qualquer ouvinte que chega até a faixa 5 sem a certeza de que ouve uma obra-prima.

Um brinde também a George Harrison que nos deu as pérolas “Here Comes the Sun” e, principalmente, “Something”, a composição mais reconhecida do guitarrista, além de ser a “música preferida feita por Lennon e MacCartney” segundo o tenor italiano Luciano Pavarotti.

Uma loucura repleta de riffs, letras com duplos e triplos sentidos e suavidades melódicas (o que é esse som “Because”?) com a qualidade que só os Beatles poderiam oferecer. E ofereceram. Agora é questão de escutar e aprovar. É como atravessar – na faixa de pedestres - a rua criativa do rock. está tudo ali. E não adianta discutir se esse é o melhor dos Beatles. Eles foram os melhores e isso já basta.



Ps. Alguém pode me informar que artista que sampleou aquele riffzinho do som “The End”, 16a faixa do abbey Road? Foi o Beck? O Wiseguys? Putz... informa aí vai...

Cartão telefônico com prisão de Saddam é alvo da Promotoria


Saiu hoje, terça-feira, na Folha de S.P.

O Ministério Público Estadual vai pedir na Justiça a proibição da venda, pela Telefônica, de 200 mil cartões telefônicos com imagem da prisão do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein pelos EUA.

O promotor Marcelo Pedroso Goulart, da Promotoria da Infância e da Juventude de Ribeirão Preto (314 km de SP), que recebeu a representação, afirmou que o cartão é prova suficiente para encaminhar o caso.

Segundo ele, o cartão divulga mensagem parcial e duvidosa porque não há provas de que o ex-ditador estimulasse ou praticasse terrorismo, como deixam a entender os dizeres do cartão.

Goulart diz ainda que o cartão apóia "a condenável Doutrina Bush [do presidente norte-americano George W. Bush]" e estimula a violência.

"A mensagem e a respectiva ilustração difundem direta ou subliminarmente meios violentos, como a intervenção militar, para a solução de questões que envolvam as relações internacionais", afirma o promotor Goulart.

A empresa afirmou, em nota, que não vai comentar a possibilidade de ser acionada na Justiça pela venda dos cartões. "A Telefônica aguarda uma possível manifestação do Ministério Público para esclarecer os questionamentos", diz a nota enviada à Folha.


O cartão até que é legal mas a matéria não explicou quem desenhou e muito menos colocou a opinião de alguém da Telefônica. Se eu achar na rua, vou comprar. Já deve estar virando artigo de colecionador...

Monday, July 25, 2005

CuritibaRockFestival.com

Confirmadas as atrações para o Curitiba Rock Festival que ocorrerá nos dias 24 e 25 de setembro, na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. A censura é de 18 anos (tavez para o Fantômas fosse necessário mais...).

Dia 24: Suite Minimal (Ctba), Charme Chulo (Ctba), O Sete (RJ), Leela (RJ), Rádio de Outono (Recife), Cidadão Instigado (Ceará), Acabou La Tequila (RJ) e Weezer (EUA).

No dia 25: Black Maria (Ctba), Los Dianos (Ctba), Hutmold (SP), Karine Alexandrino (Ceará), Móveis Coloniais De Acaju (DF), Biônica (SP), Patife Band (SP), Ultramen (RS) e Fantômas (EUA).

Além dos gringos, muito legal frizar a presença do Acabou La Tequila no Sábado e da Patife Band no domingo. Excelentes revivals. Será uma grande festa. Pra quem for. Eu ainda não sei se vou. Você vai?

Nova empreitada

Até hoje me lembro das palavras de uma sábia amiga que perguntava: “mas como assim você ainda não tem um blog?”. O novo século batia à porta e eu já estava desinformado. Icq era meu vício e Msn era apenas uma réplica vantajosa pela lista de contatos online – de onde você acessava, a lista aparecia.
Hoje, abrindo a página do blogger, descobri que esse será meu quinto na vida. Pode durar uma semana, um mês, um ano ou uma vida. Exagero. Que seja divertido enquanto dure.